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18/04/2015 - 19:26:37

Internacional: Ovelhas controladas pela internet são mais produtivas

Amadeu Neto não esconde o entusiasmo. Passou a ser mais fácil controlar 15 ovelhas das mais irrequietas do rebanho da queijaria de Ribeira de Alpeadre, através de coleiras eletrónicas ligadas à internet.

Em maio, o projeto-piloto da internet das coisas aplicado à pecuária, em parceria com a tecnológica portuguesa Sensefinity, vai ser alargado à maioria das 400 ovelhas do rebanho. E com uma inovação adicional: as coleiras ligadas à internet vão ter uma superfície fotovoltaica para que tenham autonomia energética (deixa de ser necessário trocar pilhas).

Quais as vantagens do sistema? "Ajuda-nos a saber se alguma ovelha saltou a cerca, se tem pouco movimento, o que pode indicar que está doente - é preciso intervir rapidamente para evitar contágio - e alerta-nos para um eventual roubo, caso tenha havido um corte na coleira", explica Amadeu Neto, proprietário, em terceira geração, da queijaria Ribeira de Alpeadre, situada em Zebras (Castelo Branco). Monitorar onde cada ovelha pastou e a respetiva produtividade e qualidade do leite é outra vantagem.

Amadeu Neto mostra-se interessado em continuar a apostar na tecnologia."Já desafiámos a Sensefinity a desenvolver aplicações com sensores ligados à internet de forma a controlarmos melhor a qualidade, desde a recolha de leite até à produção do queijo", afirma o empresário.Esta utilização pioneira da internet das coisas (internet of things, na versão inglesa) numa queijaria da Beira Baixa, é um exemplo que demonstra que esta revolução tecnológica está a chegar também aos sectores tradicionais, além de já estar a invadir o quotidiano das pessoas, nas casas, nas cidades e em quase todos os sectores de atividade económica.  

Inovação em todos azimutes 

"A internet das coisas é uma evolução natural da internet. Caminha para conectar os objetos e ativos físicos ao mundo digital de  um modo sensorial e inteligente", refere Orlando Remédios, fundador e presidente da Sensefinity. Uma tecnológica nascida na incubadora ADN da Olisipo que já está também a desenvolver projetos de internet das coisas para a agricultura (irrigação), logística e cadeias de frio. E tem uma parceria com outra tecnológica lusa, a Prodsmart, para levar esta tecnologia à indústria nacional.

Todos os astros estão alinhados para que a internet das coisas seja uma das áreas tecnológicas mais disruptivas e de maior crescimento nos próximos anos. Por um lado, os sensores são cada vez mais baratos e miniaturizados, e por outro quase todas as grandes empresas de tecnologias de informação e startups estão a inovar em todos os azimutes.

A IBM anunciou esta semana que criou uma divisão para a internet das coisas e que vai investir 3 mil milhões de dólares nos próximos quatro anos. E o capital de risco está a investir cada vez mais startups desta área (341 milhões de dólares em 2014, segundo a TechCrunch).

Por todas estas razões, não surpreende que as consultoras sejam unânimes em considerar que estamos perante um negócio milionário pleno que vai disparar nos próximos anos. A Gartner prevê que vão existir 20 mil milhões de 'coisas' ligadas em 2020, quando no final deste ano deverão estar em uso 4,9 mil milhões. E a BI Intelligence prevê que os componentes do negócio (sensores, serviços, plataformas e software) vão gerar negócios de 600 mil milhões de dólares em 2019.

A refrear esta euforia começam a surgir preocupações relacionadas com as questões de segurança. Reguladores e empresas já começaram  a estudar formas de evitar vulnerabilidades relacionadas com atividade de hackers e com o código malicioso.

Além da Sensefinity, há outras empresas portuguesas que também estão a procurar tirar partido desta revolução. A Novabase, a maior tecnológica portuguesa, também já está a preparar a sua oferta.

"A internet of things vai massificar a economia digital", defende Pedro Afonso, administrador-executivo da Novabase, referindo que "ter o centro de decisão em Portugal será uma das vantagem".

Revela que a empresa  está a usar a metodologia de design thinking para que as aplicações próprias "satisfaçam as necessidades das pessoas e das organizações". De salientar ainda que a multinacional Cisco anunciou recentemente que vai instalar em Portugal um centro de competências na internet das coisas. 

Portugal terá rede de 'coisas' 

Portugal vai ser um dos cinco países  do mundo a dispor até ao fim do ano de uma rede de comunicações sem fios exclusiva para a internet da coisas. Terá uma cobertura em todo o território continental (as ilhas serão cobertas no ano seguinte).

A iniciativa pertence à tecnológica portuguesa NarrowNet que vai usar a tecnologia da francesa Sigfox, que desenvolveu um novo conceito de comunicação entre objetos. João Pimenta, fundador da NarrowNet, diz que já foram obtidas as autorizações e licenciamentos por parte do regulador das comunicações (Anacom) para instalar antenas. "Será uma rede simples e complementar das redes móveis já existentes", refere João Pimenta. 

Fonte: http://expresso.sapo.pt/ovelhas-controladas-pela-net-sao-mais-produtivas=f918957

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